A cabeça achatada em bebês, conhecida como plagiocefalia, é uma preocupação cada vez mais comum entre os pais.
Uma dúvida frequente é: “Até os 6 meses dá para tratar sem capacete?”
Muitas pessoas acreditam que sim e que depois disso o capacete seria obrigatório.
Mas a realidade é diferente.
A idade do bebê não é o único fator que determina o tratamento da assimetria craniana.
Na prática clínica, existem outros aspectos muito mais importantes.
O que é plagiocefalia (assimetria craniana em bebês):
A plagiocefalia é um tipo de assimetria craniana em que uma região da cabeça do bebê fica achatada.
Isso acontece porque o crânio do bebê é maleável e está em crescimento, podendo sofrer deformações quando existe pressão repetida em um mesmo ponto.
As causas mais comuns incluem:
- preferência do bebê por virar a cabeça sempre para o mesmo lado
- torcicolo congênito
- pouco tempo em posição de bruços (tummy time)
- tempo prolongado em bebê conforto ou carrinho
- padrões de movimento assimétricos
Por isso, a plagiocefalia geralmente está associada também a alterações musculares ou posturais que requerem tratamento com fisioterapeuta ou osteopata
O que realmente define o tratamento da cabeça achatada:
Quando avaliamos um bebê com plagiocefalia, analisamos fatores como:
- quanto crescimento craniano ainda está disponível
- mobilidade do pescoço
- presença de torcicolo
- padrão de movimentação do bebê
- grau da assimetria craniana
- comportamento postural
Esses fatores ajudam a determinar se o tratamento pode ser feito apenas com reposicionamento, fisioterapia pediátrica, terapias manuais ou se será necessário utilizar uma órtese craniana (capacete).
Nem sempre antes dos 6 meses o capacete pode ser evitado
Existe a ideia de que, se o bebê ainda não completou 6 meses, o tratamento da plagiocefalia (cabeça achatada no bebê) sempre pode ser feito apenas com reposicionamento ou fisioterapia.
No entanto, a evidência científica mostra que a indicação de órtese craniana (capacete para plagiocefalia) não depende apenas da idade do bebê. A decisão terapêutica considera principalmente fatores como grau da assimetria craniana, potencial de crescimento do crânio, padrão de movimentação do bebê e presença de alterações como torcicolo.
Estudos sobre plagiocefalia e remodelação craniana em bebês demonstram que alguns casos de plagiocefalia moderada ou grave podem apresentar baixo potencial de correção apenas com reposicionamento e fisioterapia, mesmo antes dos 6 meses de idade.
Nessas situações, quando há menor possibilidade de correção espontânea da assimetria craniana, o capacete craniano (órtese para plagiocefalia) pode ser indicado precocemente para aproveitar o período de crescimento do crânio e favorecer uma remodelação mais eficiente.
Por isso, a conduta no tratamento da cabeça achatada em bebês deve sempre ser definida a partir de uma avaliação individualizada e especializada, considerando o padrão de crescimento e desenvolvimento de cada criança.
Por que esperar pode reduzir as chances de tratamento?
Muitos pais acabam esperando até os 6 meses para procurar ajuda. O problema é que o crescimento craniano é muito acelerado nos primeiros meses de vida. Com o passar do tempo, essa velocidade diminui, e a capacidade de remodelação também. Por isso, cada mês conta no tratamento da plagiocefalia. Uma avaliação precoce permite identificar o melhor tratamento e aumentar as chances de correção.
Quando procurar avaliação para cabeça achatada no bebê?
Os pais devem procurar avaliação especializada quando percebem:
- achatamento na parte de trás da cabeça
- assimetria no formato do crânio
- preferência por virar a cabeça sempre para o mesmo lado
- dificuldade de movimentar o pescoço
- dificuldades na amamentação
Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as possibilidades de tratamento.
Quem trata as assimetrias cranianas (plagiocefalia)?
O tratamento da plagiocefalia e de outras assimetrias cranianas em bebês deve ser realizado por profissionais de saúde com formação específica em desenvolvimento infantil e biomecânica craniana. Entre os profissionais que atuam nessa área estão fisioterapeutas pediátricos, fisioterapeutas especializados em terapia manual ou osteopatia pediátrica.
Esses profissionais são responsáveis por realizar uma avaliação detalhada do crânio, da mobilidade cervical e do padrão de movimentação do bebê, identificando fatores como torcicolo, preferências posturais e restrições de movimento que podem contribuir para a plagiocefalia ou outras assimetrias cranianas.
A partir dessa avaliação, é possível definir o tratamento mais adequado, que pode incluir orientações de reposicionamento, fisioterapia pediátrica, terapias manuais e, em alguns casos, o uso de órtese craniana (capacete). A avaliação precoce é fundamental, pois quanto mais cedo a assimetria craniana é identificada, maiores são as chances de correção durante o período de crescimento do crânio do bebê.
Quantas sessões são necessárias para tratar a plagiocefalia
O número de sessões necessárias para tratar a plagiocefalia (cabeça achatada no bebê) tem uma média de 8 sessões mas pode variar de acordo com diversos fatores, como grau da assimetria craniana, idade do bebê, presença de torcicolo e padrão de movimentação. Por isso, não existe um número único de sessões que seja igual para todos os casos
De modo geral, quando o tratamento da plagiocefalia em bebês é iniciado precocemente, muitas crianças apresentam boa evolução ao longo de algumas semanas ou meses de acompanhamento fisioterapêutico, com sessões periódicas associadas a orientações de posicionamento e exercícios realizados pelos pais em casa.