A escoliose é uma alteração da coluna vertebral que costuma surgir ou se intensificar durante a adolescência, fase marcada por crescimento acelerado e grandes mudanças corporais. O que muitas famílias não sabem é que a escoliose nem sempre provoca dor, e exatamente por isso pode passar despercebida por anos.
Identificar cedo faz toda a diferença no acompanhamento, no prognóstico e na qualidade de vida do adolescente.
O que é escoliose?
A escoliose é uma alteração tridimensional da coluna, caracterizada por:
• desvio lateral da coluna
• rotação das vértebras
• mudanças no alinhamento global do tronco
Ela pode ter diferentes causas, mas a forma mais comum na adolescência é a escoliose idiopática, ou seja, sem uma causa única identificável.
Por que a adolescência é um período crítico?
Durante o estirão de crescimento puberal, a coluna cresce rapidamente. Se existir uma predisposição à escoliose, esse é o momento em que a curva pode:
• surgir
• aumentar de forma silenciosa
• evoluir sem sintomas evidentes
Por isso, esperar dor como sinal de alerta costuma atrasar o diagnóstico.
Quais sinais os pais podem observar?
Mesmo sem dor, alguns sinais chamam atenção no dia a dia:
• ombros ou quadris em alturas diferentes
• tronco inclinado para um lado
• assimetria das costas ao se inclinar para frente
• roupas que parecem “tortas” no corpo
• postura desalinhada que não corrige espontaneamente
Esses sinais não devem ser ignorados, especialmente durante fases de crescimento rápido.
A escoliose é só estética?
Não.
Embora a estética seja uma preocupação comum, a escoliose pode impactar:
• o equilíbrio postural
• a biomecânica dos movimentos
• a função respiratória
• a distribuição de cargas na coluna ao longo da vida
Quanto maior e mais progressiva a curva, maiores podem ser os impactos funcionais no futuro.
Qual o papel da fisioterapia no acompanhamento?
A fisioterapia tem papel fundamental no acompanhamento da escoliose, especialmente quando o diagnóstico é precoce. O trabalho fisioterapêutico pode incluir:
• exercícios específicos e individualizados
• estímulos de consciência corporal
• treino de controle postural e estabilidade
• abordagem respiratória quando necessário
• orientação para atividades diárias, escola e esporte
O objetivo não é apenas “endireitar a coluna”, mas promover função, equilíbrio e segurança durante o crescimento.
Quando procurar avaliação?
Sempre que houver:
• sinais visíveis de assimetria
• histórico familiar de escoliose
• dúvidas durante o crescimento do adolescente
Informação e acompanhamento fazem diferença
A escoliose na adolescência pode ser silenciosa, mas seus efeitos não precisam ser.
Com informação adequada, avaliação precoce e acompanhamento profissional, é possível atravessar o crescimento com mais segurança, autonomia e qualidade de vida.